Crítica – Juntos
O verdadeiro terror aqui, não são monstros, nem fantasmas. É a dependência emocional! Juntos até entende isso, mas só até a página dois. O filme flerta com discussões interessantes, mas parece ter medo de se comprometer. Prefere ser um exercício médio de body horror, totalmente previsível, a se aprofundar na ferida que ele mesmo abre.
A premissa é instigante: Millie (Alison Brie) e Tim (Dave Franco) vivem aquele tipo de relacionamento que já passou do prazo de validade. A faísca se apagou, o amor virou rotina e a codependência se tornou quase sufocante. Até que uma estranha transformação física os une de forma, literalmente, irreversível.

No papel, é quase como se Cronenberg tivesse sido contratado para dirigir uma comédia romântica que decidiu dar errado no meio do caminho. Mas no fim, tudo que poderia ser metáfora para degradação física e emocional acaba sendo apenas promessa. O enredo caminha com obviedade, evita grandes reviravoltas e não é inventivo nem na carne que deforma, nem no amor que se desfaz. Parece que todo mundo envolvido na produção percebeu tarde demais que a ideia original não se sustentava, e decidiu improvisar.
Michael Shanks conduz uma atmosfera mínima pra coisa andar. Dave e Alison, entregam boas atuações, ainda que dependam de um roteiro pouco inspirado, que infelizmente, deixa para mergulhar no grotesco só no finalzinho. Quando a obra assume o ridículo e resolve rir de si mesma, mesmo que não pareça ter sido intencional, é quando ela realmente se encontra. Nesses momentos, o filme é divertido e até arranca sorrisos sinceros.
No fim, Juntos é como um relacionamento morno: tem bons momentos, mas falta coragem para ir até o fim. É um terror corporal que poderia ser muito mais incisivo, mas que se contenta em deixar o espectador entre o desconforto e um riso constrangedor.

