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Crítica: Jurassic World – Recomeço

Trinta anos após Spielberg redefinir o blockbuster com dinossauros, Jurassic World: Recomeço chega como a tentativa mais recente de reascender a franquia. Mas se a ideia era reinventar a roda, a verdade é que o longa só consegue girá-la em círculos intermináveis. Tropeçando em suas próprias ambições enquanto tenta equilibrar terror, aventura, comédia e nostalgia, tudo ao mesmo tempo. A direção costumeiramente empolgante de Gareth Edwards, parece querer prestar diversas homenagens a clássicos do cinema, mas termina tentando recriar vários filmes em um só. O que faz Jurassic World: Recomeço atirar para todos os lados, mas fatalmente, não acerta em nenhum.

Desta vez, dinossauros sobreviventes do colapso ambiental isolam-se em um arquipélago tropical, virando alvo de uma farmacêutica bilionária que enxerga neles a chance de criar um medicamento revolucionário. Para isso, Zora Bennett (Scarlett Johansson), uma agente de operações especiais, e o paleontólogo Henry Loomis (Jonathan Bailey) são enviados para capturar amostras dos animais, acompanhados do experiente explorador Duncan Kincaid (Mahershala Ali). Entre cenários exuberantes e criaturas famintas, eles precisam sobreviver em uma ilha onde o verdadeiro predador continua sendo a ganância e a ignorância humana.

Talvez, e apenas talvez, o destaque mais surpreendente fique por conta de Jonathan Bailey. O ator esbanja carisma mesmo com um roteiro fraco, transformando Henry Loomis em um alívio bem-vindo em meio ao caos, e criando momentos genuínos de leveza entre rugidos e perseguições. Scarlett Johansson, por sua vez, atua em um modo piloto automático, entrega o necessário e não vê motivos para ir além disso. Há lampejos do espetáculo visual que consagrou a saga espalhados em vários momentos da produção, mas não passam de faíscas em meio a um terreno pantanoso.

O problema real, está em todo o resto. O roteiro não busca qualquer camada mais profunda para seus protagonistas, que surgem em uma história repleta de clichês e conveniências simplistas, e que se arrasta em subtramas desnecessárias. O antagonista, interpretado por Rupert Friend, é tão raso quanto a poça d’água que treme com a chegada do T-Rex. A tentativa de equilibrar gêneros distintos — terror, aventura, comédia, drama familiar — deixa o filme sem identidade, criando uma colcha de retalhos incapaz de sustentar a própria ambição. resultando em um festival de diálogos expositivos, sustos previsíveis e a incômoda sensação de déjà vu a cada sequência de ação.

No fim das contas, Jurassic World: Recomeço é um filme que empolga em momentos isolados, mas nunca decola de verdade, e aos poucos vai se afundando em sua própria grandiosidade vazia. Entre um CGI competente e personagens que poderiam ser substituídos por bonecos articulados, sobra pouco além da constatação de que, às vezes, a nostalgia é apenas isso: nostalgia. Para os fãs que desejavam algo digno do legado de Spielberg, este recomeço dificilmente será o épico esperado — mas pode, ao menos, render algumas boas cenas de dinossauros para quem ainda insiste em querer ver a Terra ser dominada por eles. De resto, seguimos aguardando o dia em que a franquia entenda que rugir alto não é o mesmo que ter algo a dizer.

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