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Crítica – Animais Perigosos

O oceano sempre funcionou como metáfora para o desconhecido, mas Hollywood insiste em enchê-lo de psicopatas. Animais Perigosos tenta beber dessa fonte misturando a tensão clássica de Tubarão com um fascínio mórbido por assassinos seriais, mas acaba navegando em águas rasas, para dizer o mínimo. É um filme que tenta abraçar referências demais, da tensão dos filmes clássicos às produções modernas sobre comportamentos brutais. O resultado, não passa de uma ótima ideia encalhada num mar de clichês.

Na trama, Tucker (Jai Courtney) comanda um negócio de mergulho com tubarões na costa australiana, vendendo adrenalina e emoção para turistas ingênuos. Por trás do verniz, no entanto, esconde-se um assassino em série que transforma seus clientes em um espetáculo grotesco. Quando Zephyr (Hassie Harrison), uma jovem surfista nômade, cai em sua armadilha, começa um jogo mortal no meio do mar, cercado por predadores naturais, câmeras e um ego doentio. A sobrevivência, claro, depende menos dos tubarões e mais de escapar das garras do vilão.

Courtney encarna bem um psicopata com complexo de deus do oceano, já Harrison, entrega energia de final girl dos anos 80 sem parecer paródia. E até os coadjuvantes fazem muito com o pouco que têm. Quando a trama para de se levar tão a sério e abraça o ridículo, mesmo que pareça não ser intencional, o filme fica divertido. Há ecos de slasher marítimo, um pouco de survival horror e até humor involuntário que quebra a tensão na medida certa.

Ainda que se esforce para arrancar tensão do público, o diretor Sean Byrne, transforma uma ótima ideia em um festival de lugares-comuns regada a pouca inspiração. O body horror e o sadismo aquático poderiam ser alegoria para algo mais profundo, culpa, trauma, ecologia, masculinidade tóxica, mas ficam só na superfície. Sem impactar nem pelo grotesco, nem pela história. O longa é pouco inventivo quando precisa mostrar degradação física e vazio quando tenta falar de amor, obsessão e poder. O que tinha potencial para ser incrível não vai além do mediano.

No final, Animais Perigosos funciona como entretenimento descartável: passa rápido, entrega alguns sustos e bons momentos de gore, mas se esquece de mergulhar no que realmente importa. É um thriller aquático que notoriamente mirava em um encontro entre Tubarão e Seven, mas terminou como mais um filme que sobrevive de referências. O elenco até salva o desastre, mas o filme inteiro parece mias um barco furado tentando chegar à praia.

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