Ultimas Criticas

Crítica – Predador: Terras Selvagens

O retorno da franquia Predador tem gerado, surpreendentemente, ótimas produções. Depois de décadas entre altos e baixos, com ênfase nos baixos, o diretor Dan Trachtenberg consegue mais uma vez provar que ainda há sangue novo a jorrar e presas novas para perseguir nessa história. Se em A Caçada ele reduziu a escala para encontrar intensidade, em Terras Selvagens ele expande o universo e o faz com a precisão de quem entende que espetáculo visual e boa narrativa não são opostos.

A trama acompanha Dek (Dimitrius Schuster-Koloamatangi), um jovem Yautja em busca de provar seu valor. Enviado ao planeta Genna para enfrentar a besta mitológica Kaslik, ele se vê obrigado a unir forças com Thia (Elle Fanning), uma androide da corporação Weyland-Yutani, a mesma da franquia Alien. E se o conceito de acompanhar um Predador como protagonista já soa, no mínimo inusitado, o roteiro ainda se permite mergulhar na mitologia dos caçadores de forma que a franquia nunca teve coragem de explorar antes.

Visualmente, Predador: Terras Selvagens é um colosso. A selva alienígena é construída com minúcia, o design de criaturas é bem interessante, e há um senso de imersão que lembra Star Wars em seus melhores dias. É preciso dizer, porém, que este filme é completamente diferente dos dois primeiros. Ele carrega um tipo de “toque Disney” mais evidente, o que o torna mais leve, menos violento e com o terror quase ausente. Mas, em compensação, há uma sensação genuína de descoberta. O mundo é incrível e hostil, as lutas são brutais e, pela primeira vez, o espectador se conecta emocionalmente com um herói Predador.

Ainda assim, a experiência não é isenta de ressalvas. Por mais que Trachtenberg mantenha a mão firme na direção e o roteiro encontre bons momentos para encaixar humor e emoção, há uma sensação constante de que Terras Selvagens joga em um campo mais seguro do que poderia e deveria. Falta um pouco da selvageria que tornou o original de 1987 um marco, aqui, o horror prefere mesmo dar lugar à aventura. É uma escolha ousada, mas que pode dividir opiniões, principalmente para os fãs mais puristas.

No fim, Predador: Terras Selvagens é um capítulo digno de uma franquia que aprendeu, enfim, a respirar fora da sombra do passado. Dan Trachtenberg entende o jogo, e sabe que o segredo não está apenas em caçar, mas em reinventar o caçador e a presa. Não é o melhor longa da franquia, mas certamente não é o pior. Longe disso. E, para uma saga como Predador, isso já é uma vitória e tanto.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *