Crítica – Maldição da Múmia (2026)
Depois de chamar atenção com sua abordagem visceral em A Morte do Demônio: A Ascensão, o retorno de Lee Cronin ao terror parecia inevitável e promissor. E Maldição da Múmia chega embalado por essa expectativa, na promessa de revisitar um dos mitos mais clássicos do gênero, e disposto a usar uma roupagem mais brutal e contemporânea. O problema é que, no meio do caminho, o filme parece esquecer que estilo sem substância dificilmente sustenta um longa inteiro, e aqui, nem o estilo se mantém consistente o bastante.
A trama acompanha Charlie, um jornalista cuja vida desmorona quando sua filha desaparece misteriosamente no Cairo. Anos depois, a garota reaparece, envolta em bandagens dentro de um sarcófago milenar. O que deveria ser um reencontro emocionante, rapidamente se transforma em pesadelo quando a família percebe que trouxe para dentro de casa algo muito mais antigo, e muito mais maligno, do que poderiam compreender. A partir daí, o filme tenta equilibrar terror familiar, possessão e mitologia egípcia, mas nunca parece totalmente confortável em nenhuma dessas frentes.

Há, sim, ideias interessantes. A história flerta com referências curiosas e tenta expandir o imaginário das múmias para além do básico e do simples, algo que já dialoga com o último trabalho do diretor. A estética árida e opressiva funciona em alguns momentos, e certas sequências isoladas conseguem construir uma tensão legítima. Mas é impossível ignorar que, ainda que tente criar uma experiência totalmente imersa no gore, Maldição da Múmia não entrega nem grandes sustos, tampouco cenas realmente memoráveis dentro dessa proposta mais visceral. Falta impacto, pior, falta coragem e inventividade.
O grande problema, no entanto, está no roteiro. Ele sofre de um mal bastante evidente: promete muito em seu primeiro ato, mesmo partindo de uma premissa simples, mas se perde completamente na execução. A direção lenta demais, que ousa pouco e frequentemente se contenta com o básico, transforma a experiência de 2 horas e pouco em algo arrastado. E quando chega ao terceiro ato, o filme parece entrar em desespero, alonga explicações, repete informações e tenta montar um quebra-cabeça que nunca precisou ser tão complexo assim. O resultado é um desgaste narrativo que dilui qualquer tensão construída anteriormente.
No fim, Maldição da Múmia é um filme que tinha todos os elementos para funcionar, mas escolhe o caminho mais seguro e, consequentemente, o mais esquecível. Entre boas intenções e execuções tímidas, sobra uma obra que até flerta com algo interessante, mas nunca tem coragem de ir até o fim. Em um gênero que depende tanto de impacto, como o terror, jogar no seguro talvez seja o maior erro que se pode cometer.

