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Crítica – Super Mario Galaxy

Depois do estrondoso sucesso do primeiro filme, a chegada de Super Mario Galaxy parecia tanto uma possibilidade como uma obrigação industrial. E, de fato, a sequência existe exatamente nesse lugar, como um produto inevitável de uma das maiores franquias dos games. O problema é que, ao tentar expandir seu universo em escala cósmica, o filme perde justamente aquilo que sustentava seu charme original, a simplicidade. O que sobra é uma experiência inflada, barulhenta e curiosamente pouco criativa.

Na trama, Mario e Luigi partem para uma nova aventura intergaláctica ao lado da Princesa Peach, agora enfrentando ameaças que ultrapassam o já conhecido Reino dos Cogumelos. Inspirado diretamente no clássico jogo de 2007, o filme aposta em uma jornada espacial repleta de novos personagens, planetas excêntricos e desafios que remetem diretamente à lógica dos games. No caminho, claro, há espaço para reencontros, novas alianças e a promessa de um universo compartilhado ainda maior dentro da Nintendo.

O que funciona, e aqui funciona muito bem, diga-se de passagem, é justamente essa adaptação da linguagem dos jogos para o cinema. Sequências inteiras parecem quadros retirados diretamente das telas dos games, agora com uma roupagem cinematográfica vibrante, técnica e narrativamente, impressionante. Existe um entendimento raro aqui de como traduzir jogabilidade em narrativa visual, algo que a franquia continua fazendo em um nível praticamente inédito dentro das adaptações de videogames. Ainda que o filme tropece em outros aspectos, é difícil não reconhecer esse mérito.

Mas é no coração da história que Super Mario Galaxy se perde. Em vez de construir uma narrativa sólida, a animação se afoga em doses cavalares de easter eggs, referências e apresentações incessantes de novos personagens que pouco acrescentam à trama. A expansão do universo é bem-vinda, mas falta foco, sobra informação e falta propósito. Até mesmo Bowser, novamente dublado por Jack Black, parece refém do próprio sucesso anterior. O que antes era magnético, aqui ganha um arco apressado, pouco criativo e que mais atrapalha do que contribui. Há uma sensação constante de que o filme está sempre preparando algo maior, mas nunca realmente entrega.

No fim, Super Mario Galaxy percorre uma estrada bastante acidentada. Não alcança o mesmo charme do original e claramente se perde em suas próprias ambições, mas ainda encontra espaço para divertir. É colorido, energético e arranca risos. Só que, para quem esperava um próximo passo mais consistente, fica a impressão de que, nesse universo infinito de possibilidades, escolheram justamente o caminho mais óbvio.

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