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Crítica – Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor

Em 1998, Da Magia à Sedução encontrou seu espaço misturando romance, fantasia e uma melancolia escondida debaixo de toda aquela bruxaria charmosa. Quase três décadas depois, Da Magia à Sedução 2: Feitiço do Amor poderia facilmente cair na armadilha mais comum de Hollywood atualmente: ressuscitar um sucesso antigo, desfilar referências durante duas horas e esperar que nostalgia seja suficiente para justificar sua existência. Felizmente, há muito mais coração aqui. Mesmo com altos e baixos, o longa tem o mérito de olhar para seu próprio universo e buscar reflexões dentro dele, sem tentar parecer mais esperto ou mais profundo do que precisa. É novamente uma história sobre mulheres, amor, família e aquilo que uma geração inevitavelmente deixa para a próxima.

Sally (Sandra Bullock) passou anos escondendo de suas filhas Kylie (Joey King) e Antonia (Maisie Williams) a verdadeira história das mulheres Owens e, principalmente, a maldição que condena aqueles por quem elas se apaixonam. Quando Kylie descobre seus poderes e decide desafiar o feitiço para proteger sua relação com Gideon (Xolo Maridueña), Sally precisa recorrer novamente à irmã Gillian (Nicole Kidman) e confrontar tudo aquilo de que tentou proteger as filhas. A diretora Susanne Bier entende muito bem que a magia nunca foi exatamente o coração dessa história. Bruxas, maldições e encantamentos são ferramentas para falar sobre relações entre mães, filhas e irmãs, sobre o medo de repetir erros familiares e sobre a tentativa quase impossível de proteger alguém sem, no processo, impedi-lo de viver.

É justamente por isso que Joey King funciona tão bem como centro dessa nova geração. A atriz entrega uma atuação verdadeiramente boa e encontra em Kylie a mistura certa entre impulsividade, fragilidade e determinação para mover a trama sem parecer apenas uma substituta de Sally. Bullock e Nicole Kidman, por sua vez, continuam com uma química absurda e fazem parecer que passaram os últimos 28 anos discutindo fora das câmeras. Existe carinho, irritação e intimidade em cada troca entre as duas. E talvez seja essa humanidade que permita ao filme sobreviver às diversas conveniências do roteiro. Existe algo genuíno na maneira como Feitiço do Amor fala sobre legado e sobre mulheres tentando impedir que a próxima geração carregue suas mesmas dores. Em uma indústria cada vez mais obcecada por continuações vazias de filmes que terminaram perfeitamente bem décadas atrás, encontrar uma produção que parece realmente gostar desses personagens já é quase um pequeno milagre.

Curiosamente, porém, é justamente o carinho pelas protagonistas originais que também limita o longa. Por melhor que seja reencontrar Sandra Bullock e Nicole Kidman, o roteiro pesa um pouco a mão para mantê-las no centro de uma história que deveria representar uma passagem de bastão. Talvez, e apenas talvez, fosse mais interessante permitir que Sally e Gillian ocupassem outro papel, deixando que Kylie e Antonia assumissem definitivamente o protagonismo. Joey King demonstra estar perfeitamente preparada para isso; Maisie Williams, infelizmente, sequer recebe a mesma oportunidade. Para um filme que insiste que uma família permanece mais forte quando suas mulheres estão juntas, é estranho perceber como uma delas acaba constantemente escanteada. Some-se a isso uma duração maior do que o necessário e algumas soluções mágicas convenientemente convenientes, e fica evidente que um pouco menos de nostalgia faria bem ao feitiço.

Ainda assim, Da Magia à Sedução 2: Feitiço do Amor entende algo que muitas continuações tardias parecem ter esquecido: revisitar personagens não basta, é preciso ter alguma coisa nova para dizer sobre eles. Susanne Bier encontra essa razão na passagem do tempo, na maternidade e naquilo que herdamos de nossas famílias mesmo quando passamos a vida tentando fugir dessa herança. Poderia ser mais corajoso ao entregar seu futuro às novas protagonistas? Sem dúvida. Mas existe sinceridade demais aqui para reduzir tudo a um exercício nostálgico. No fim, talvez essa sempre tenha sido a verdadeira magia das mulheres Owens: não os feitiços que conseguem lançar, mas aquilo que uma geração consegue deixar para a seguinte.

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